Transtorno Afetivo Bipolar: A Antiga Psicose Maníaco-Depressiva

Conheça mais sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, esta doença que é bem mais que estar triste num dia e alegre no outro.

Saúde

Muito se fala sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, tendo até quem se vangloria de ter essa característica. As pessoas acreditam que ter o humor oscilando ora alegre, ora triste é bacana e está na moda. Porém é importante distinguir alterações de humor naturais do dia a dia com variações bruscas de humor que são características de uma doença. Essa patologia não tem nenhum glamour e é preciso tratamento e cuidados.

O Que é o Ser Bipolar?

Alegre e Triste. Ser bipolar é mais que isso.

O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) ou Transtorno Bipolar do Humor (TBH), que até os idos dos anos 80 era chamada de Psicose Maníaco-Depressiva é uma doença psiquiátrica classificada no CID 10 como F31, tem suas características bem marcadas, favorecendo um diagnóstico rápido e confiável pelo médico psiquiatra.

Todas as pessoas tem variações de humor consideradas normais, terá dias mais alegres, outros mais para baixo, dias com muita energia, outros com certo desânimo, mais retraídos outros mais extrovertidos. Isso é normal. Porém tudo isso tem que estar dentro de um contexto, as reações tem que ter motivos para acontecerem. Se você perde um ente querido e fica triste ou em luto é a reação mais normal, natural e esperada. Mesma coisa se ao terminar um namoro, ter uma separação no casamento ficar chorando pelos cantos. Da mesma forma que se a pessoa ganha uma promoção no trabalho, conquista aquela pessoa que estava paquerando e fica super alegre, expansiva, animada. Tudo isso está dentro do padrão normal e reagir diferente que seria estranho.

Porém o que não é normal é a pessoa ter essas alterações de humor fora de um contexto. Neste caso fica fácil diagnosticar o Transtorno Bipolar.

Basicamente o Transtorno Bipolar como o próprio nome diz tem dois pólos marcados: Episódios Depressivos e Episódios Maníacos (euforia ou hipomania). Os episódios predominantemente Maníacos são chamados de Transtorno Bipolar do Humor tipo I, e os que tem mais períodos de depressão são chamados de Transtorno Bipolar do Humor tipo II.

Sintomas da Fase de Depressão:

  • Estado de melancolia, sensação de vazio e angústia.

  • Anedonia que é a incapacidade de sentir prazer em atividades antes prazerosas, incluindo sexo.

  • Lentificação psicomotora, cansaço extremo.

  • Dificuldade em concentrar, diminuição da memória e incapacidade de tomar decisões.

  • Alteração do sono ou do apetite

  • Pensamentos de ruína, ideias suicidas ou tentativas de suicídio.

Sintomas da Fase Maníaca (Euforia)

  • Elação do humor, sensação exagerada de alegria

  • Irritação, agressividade ou agitação

  • Fala rápida, pensamento à mil por hora, mudando de assuntos a todo instante

  • Ideais megalomaníacos, vontade de começar novos projetos

  • Incansável, necessidade de dormir pouco, sensação de super-homem, tudo pode, tudo consegue.

  • Gasto descontrolado do dinheiro, fazendo compras além do necessário e do que pode pagar

  • Sexo impulsivo

Algumas pessoas não manifestam a fase de euforia tão marcada assim, o que se caracteriza como Hipomania, onde os sintomas não são tão intensos. Porém se não for tratado pode passar para uma mania severa.

Alguns pacientes apresentam psicose durante as crises chegando ao ponto de acreditar serem pessoas famosas, super-heróis ou milionárias. Em casos de episódios depressivos a pessoa pode ter delírios de que é uma pessoa criminosa ou algo que a desabone.

O Transtorno Bipolar não pode ser confundido com distúrbios causados pelo uso de álcool e drogas.

Pessoas bipolares podem ter outros transtornos como crises de ansiedade, apresentar Transtorno do Estresse Pós- Traumático (TEPT) ou Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Causas do Transtorno Afetivo Bipolar

As causas do Transtorno Bipolar ainda estão sendo estudadas. Sabe-se que há casos de repetição em algumas famílias, o que faz acreditar que a genética influencie, mas o estudo dos genes por ser algo bastante complexo ainda não é capaz de concluir que o TAB está intimamente ligado à hereditariedade.

Outros fatores ambientais e culturais podem estar relacionados, sexo, etnia, condições do nascimento, condições financeiras, até mesmo mês do parto, entre muitas outras variantes. Mas os estudos não são conclusivos.

Diagnóstico

Todo transtorno mental é diagnosticado por um médico, preferencialmente um especialista, no caso um psiquiatra, através de uma consulta médica de qualidade, onde é feito uma entrevista completa, onde será possível conhecer o histórico familiar e da doença, conhecer os sintomas, o comportamento da pessoa. Exames de laboratório e testes físicos são feitos para que se descarte outras doenças. Mas transtornos mentais não são possíveis de ser diagnosticados através destes exames, nem mesmo radiografias, tomografias computadorizadas do cérebro. O saber médico neste caso é a melhor ferramenta. Por isso procure sempre um médico competente e com boas indicações.

Os médicos seguem todo um protocolo para poder fechar um diagnóstico preciso. Existe o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV) onde existem critérios para determinar um diagnóstico.

Tratamento para o TAB

O Carbonato de Lítio é muito usado no tratamento da Mania do Transtorno Afetivo Bipolar.

As pessoas com Transtorno Bipolar necessitam de tratamento para uma melhora na qualidade de vida. Os familiares normalmente são os primeiros a perceberem uma crise. No entanto é comum que a família só perceba a doença em episódios de mania. Pois uma pessoa com depressão, se não for muito severa, não incomoda, ela fica ali no canto dela, em silêncio, e isso não incomoda. Já quando a pessoa está eufórica, feliz ao extremo, e manifestando tudo isso ao ponto de incomodar é que a família nota a necessidade de se procurar um médico. Já o próprio paciente tem a percepção modificada, é mais fácil um paciente que está num quadro depressivo procurar ajuda médica que quando está na fase de mania, pois se sente tão bem que quer que isso permaneça, e muitas vezes os familiares tem a dificuldade de sinalizar isso, mostrar que ele não está bem; o paciente se sente traído pela família, por não estarem felizes com sua felicidade.

Depois de ir ao médico e feito o diagnostico, é hora de começar o tratamento. Por ser um distúrbio dos neurotransmissores e hormônios, o tratamento consiste em tomar remédios que modifiquem essa estrutura química. Ajustando o que for necessário para a melhora do paciente.

A indústria farmacêutica disponibiliza uma vasta quantidade de tipos e qualidades de remédios.

O Carbonato de Lítio é muito usado nos casos de mania, ajudando a estabilizar o humor. Muitos antipsicóticos atípicos também estão sendo utilizados como estabilizadores de humor tendo um bom resultado, os mais comuns são o Zyprexa, Seroquel, Geodon e Risperidona. Anticonvulsivantes também são usados no Transtorno Bipolar sendo os mais comuns o ácido valproico, Depakote, o Lamictal e Tegretol. E o Symbyax que é a junção da Olanzapina com o Cloridrato de Fluoxetina. Não faltam combinações, favorecendo um tratamento mais pessoal, de acordo com os sintomas e reações ao remédio de cada pessoa. Evitando ao máximo efeitos colaterais indesejáveis.

Além do tratamento com psicofármacos, é recomendável o acompanhamento terapêutico por um psicólogo ou psicanalista, de preferência com terapia familiar, pois o acolhimento dos familiares neste momento é muito importante.

Como toda doença mental, é difícil falar em cura neste caso, mas com cuidados e tratamento adequados o portador de transtorno bipolar pode diminuir a recorrência das crises, evitando recaídas e ter uma vida normal.

 

Por Vânia nas categorias Saúde. Tags: , ,

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